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Existe relação entre a nutrigenômica e a microbiota?

Atualizado: 13 de fev. de 2023


A microbiota se refere a uma comunidade ecológica de microrganismos (comensais, simbióticos e patogênicos) que coabitam o corpo humano, chegando a representar cerca de 1 a 3% da massa corporal do hospedeiro. Dessa maneira, a microbiota intestinal corresponde a um ambiente dinâmico, composto por inúmeros microrganismos, cuja composição varia ao longo do trato intestinal. Por esse motivo, sua ação, bem como os benefícios e malefícios associados à ela têm sido cada vez mais alvo de pesquisas na área da saúde. A partir das novas abordagens ômicas, a identificação de uma enorme diversidade de organismos foi possível, ampliando a visão e conhecimento acerca da composição e de alterações na sua diversidade. Assim, um novo ramo de instrumentos para avaliação e acompanhamento de conduta clínica e nutricional torna-se viável.

Esse ambiente se desenvolve e amadurece ao longo da vida de cada indivíduo, sob a influência de fatores internos, como interações genéticas, bem como fatores ambientais, dieta, doenças, entre outros. Ao se tratar da alimentação, os nutrientes e compostos bioativos dos alimentos desencadeiam efeitos moleculares, benéficos ou não ao organismo e a esse ambiente intestinal, e os mesmos vão depender de quais genes apresentam sua atividade alterada. Nesse sentido, a dieta não é só responsável pelo fornecimento de nutrientes que irão desempenhar funções fisiológicas, como desempenho de atividades cognitivas, intelectuais e sociais, mas também promove saúde ao interagir reduzindo efeitos do estresse, bem como de outras doenças de base multifatoriais. Por essa razão, o estudo de como os nutrientes podem alterar a expressão e/ou da estrutura do mapa genético de cada indivíduo, torna-se fundamental.

Mas como a Nutrigenômica se associa com a microbiota intestinal?

A Nutrigenômica estuda a forma pela qual o código genético influencia a determinação das necessidades nutricionais e o metabolismo de nutrientes de cada indivíduo, assim como os distintos nutrientes constituintes da dieta desempenham diferentes papéis ou funções nutricionais em cada indivíduo. A partir da sua ampla atuação, os microrganismos contribuem para a saúde no geral, e hoje evidencia-se a sua relevância também na conexão eixo cérebro-intestino, possuindo grande papel de regulação das funções cerebrais, até mesmo nos estados de humor, cognição e sono. Quando se trata da sua composição, a maioria dos microrganismos presentes na microbiota (aproximadamente 60%), não são cultiváveis fora do ambiente intestinal, sendo que grande parte destes se referem à bactérias anaeróbias estritas, como as Bacteroides, Eubacterium, Fusobacterium, Bifidobacterium e Lactobacillus.

Os estudos oriundos da nutrigenômica evidenciaram variantes genéticas que influenciam a ingestão e metabolismo de nutrientes específicos e por isso, as intervenções dietéticas têm sido bem-sucedidas na alteração da quantidade, composição e atividade da microbiota intestinal. Aliado a esse conhecimento, a prescrição e a elaboração de dietas personalizadas de acordo com a composição genética individual, se torna possível, o que favorece o metabolismo alimentar e controle glicêmico, aumentando as estratégias de promoção da saúde e de prevenção e tratamento de doenças.

É válido lembrar que as especificidades oriundas dos polimorfismos gênicos, resultam em risco individual para o desenvolvimento de doenças durante a vida. Ao se tratar de doenças Inflamatórias Intestinais como colite ulcerativa, doença de Crohn, além da susceptibilidade genética, há também sua associação com fatores ambientais, incluindo nutrientes e microbiota intestinal. Isso chama a atenção pois, para além dos estudos genômicos já esclarecidos quanto à susceptibilidade a essa doenças, a ingestão de prebióticos e probióticos, surge como uma estratégia para prevenir ou controlar algumas dessas patologias, já que seu consumo têm sido associado com a produção de efeitos fisiológicos e metabólicos, através da interação gene-nutriente, atuando como auxiliares/promotores na melhoria da saúde.


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Referências bibliográficas

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