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Impacto dos AGCC na saúde muscular


Um dos mecanismos pelos quais os microrganismos que habitam o intestino apresentam efeitos sistêmicos, o que envolve atuações a nível de tecido muscular, é a partir da produção de metabólitos biologicamente ativos. Entre estes estão os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), sintetizados por várias bactérias intestinais, incluindo Faecalibacterium, Butyricimonas e Succinivibrio. Os ácidos graxos de cadeia curta são produzidos a partir da fermentação de carboidratos não digeríveis no cólon, a região mais distal do intestino. Aí reside a importância de consumir esse tipo de carboidratos, como as fibras, para garantir a metabolização por bactérias que habitam regiões intestinais mais distantes.


Entre os AGCC existentes, a maioria encontrada no organismo (95%) corresponde a três principais tipos: butirato, acetato e propionato. Entre eles, o butirato é o mais estudado e possivelmente bem caracterizado na literatura. Entre as diversas funções que exerce está a regulação do crescimento e diferenciação celular, processo fundamental para a manutenção da saúde muscular. Além disso, é muito conhecido pelas suas propriedades anti-inflamatórias. Entre elas, podemos citar:

  • Melhora da integridade da barreira intestinal, a partir da regulação das proteínas das tight junctions. Com uma barreira íntegra, não há a passagem de bactérias potencialmente patogênicas ou toxinas para a corrente sanguínea, evitando quadros de endotoxemia, que se relacionam a um estado de inflamação;

  • Ativação de linfócitos TReg, células do sistema imune com importante papel regulatório em processos inflamatórios;

  • Estímulo para a secreção de peptídeos antimicrobianos, uma primeira linha de defesa contra microrganismos potencialmente patogênicos;

  • Regulação da migração de neutrófilos, células envolvidas em uma das fases iniciais da resposta inflamatória;

  • Diminuição da produção de citocinas pró-inflamatórias, a partir da modulação da sinalização do NF-kB.

A partir da promoção de um estado mais anti-inflamatório, o butirato melhora a sensibilidade à insulina e estimula a captura de glicose pelo tecido muscular, garantindo uma fonte imediata de energia ou para o estoque na forma de glicogênio. Os gêneros Roseburia, Clostridia e Eubacteria são importantes produtores de butirato.


Assim como o acetato e propionato, o butirato também participa da regulação da secreção de hormônios intestinais como o GLP-1 e Peptídeo YY, importantes para a regulação periférica da ingestão alimentar e aumento do gasto energético, além dos outros 2 tipos melhorarem a sensibilidade à insulina e modularem o metabolismo glicídico.


As evidências também demonstram um potencial dos AGCC em aumentar os níveis de mobilização e oxidação de ácidos graxos nos músculos, além de diminuírem o acúmulo lipídico nesse tecido. Uma maior deposição de proteínas locais é outro efeito atribuído aos AGCC na melhora dos processos de recuperação e adaptação muscular.


Entre os mecanismos moleculares diretos propostos para tais benefícios propiciados pelos AGCC estão: maior nível de fosforilação de AMPK, expressão aumentada de receptores de PPAR e inibição de histona desacetilase. O aumento de fluxo sanguíneo, as respostas hormonais geradas pelo aumento de AGCC (como regulação dos níveis de GLP-1, insulina e IGF-1, por exemplo), além das suas propriedades anti-inflamatórias parecem ter efeito indireto na saúde muscular.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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