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Qual a aplicação da melatonina no tratamento de doenças inflamatórias intestinais?


Conviver com o diagnóstico e curso de uma doença inflamatória intestinal é um importante fator de risco para o desenvolvimento de condições adversas no que concerne à saúde mental. A perda de qualidade de vida se relaciona com os sintomas, tratamento medicamentoso que pode gerar uma série de efeitos colaterais, prejuízos sociais, assim como com mecanismos intrínsecos ao organismo que estabelecem uma ligação entre o que acontece no intestino e no cérebro, podendo fazer surgir sinais depressivos, ansiosos e de privação do sono devido à inflamação recorrente no intestino.


A comunicação entre intestino - microbiota - cérebro é mediada por uma série de mecanismos e componentes secretados pelas estruturas e microrganismos que compõem esse eixo. A melatonina, conhecida como “hormônio do sono”, está relacionada à regulação circadiana do organismo, e geralmente tem sua produção na glândula pineal induzida pela menor incidência de luz. Porém, também é sintetizada em tecidos “extra-pineais”, como no intestino, onde a sua produção acontece pelas células enterocromafins e de maneira independente em relação ao período do dia. No intestino, parece exercer um papel relevante de controle da inflamação nas células intestinais. Além disso, esse controle também parece ocorrer a nível cerebral, o que coloca a melatonina como potencial adjuvante terapêutico para o componente inflamatório por trás das DII e das condições mentais que frequentemente as acompanham.


O efeito protetivo contra a inflamação no ambiente intestinal parece estar fortemente relacionado à diminuição do estresse oxidativo, visto que a melatonina tem ação antioxidante, tanto de forma direta nos radicais livres, como a partir do suporte à capacidade endógena do organismo de lidar com essas espécies reativas.


Além disso, estudos in vitro mostram a capacidade da melatonina de provocar uma redução da infiltração de células imunes recrutadas para a resposta inflamatória. A modulação da imunidade a partir da diminuição de marcadores pró inflamatórios como NF‐κB, COX-2 e IL-8, e diminuição da permeabilidade intestinal são mecanismos propostos para essas respostas protetoras. Essa modulação em nível intestinal também parece ocorrer em parâmetros da microbiota, visto que, além de reduzir os danos ao epitélio intestinal, o conteúdo de melatonina no intestino parece exercer efeitos benéficos na composição dos microrganismos intestinais, que tem forte peso na patogênese e curso das DII.


Outra possível aplicação da melatonina nos casos de doenças inflamatórias intestinais é no controle dos distúrbios de sono que geralmente se manifestam, principalmente nas fases ativas da doença. A falta de sono tende a piorar os sintomas, e pacientes já diagnosticados que não dormem bem, aumentam as chances de deflagração de crise, principalmente aqueles com Doença de Crohn.


Apesar de ainda ser escassa a presença na literatura de estudos em humanos testando a aplicabilidade da melatonina nas DII, a série de efeitos observados em animais e in vitro, e os possíveis mecanismos por trás desses, demonstram um potencial bastante promissor da melatonina como adjuvante no manejo das condições intestinais. O uso deve ser cauteloso na Doença de Crohn, devido à possibilidade de exacerbar sintomas em alguns pacientes. Porém, a combinação com medicamentos usualmente utilizados nas DII pode ser uma opção também para reduzir efeitos colaterais gerados pelos mesmos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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