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TMAO e doenças cardiovasculares

Atualizado: 13 de fev. de 2023


Afinal, o que é o TMAO - n-óxido de trimetilamina?


TMAO é a sigla inglês para denominar o n-óxido de trimetilamina. Esse metabólito é resultado da conversão da trimetilamina pela ação enzimática da flavina-monooxigenase 3 (FMO-3) no fígado. O precursor do TMAO, ou seja, a trimetilamina, por sua vez, é o produto da metabolização da colina por algumas espécies de bactérias que habitam o intestino, especialmente as gram-negativas da família Enterobacteriaceae. Apesar de toda a cascata que origina o TMAO se iniciar no ambiente intestinal, com a colina, este é um nutriente essencial para a saúde cerebral e manutenção das membranas celulares, cujo ovo é uma das principais fontes alimentares. Dessa forma, não se trata de uma questão de simplesmente limitar a oferta do substrato, mas é preciso tratar o contexto metabólico para reduzir a conversão da colina nesse metabólito deletério, especialmente para a saúde cardiovascular.


TMAO e doenças cardiovasculares - uma relação de risco


Níveis plasmáticos aumentados de TMAO estão associados com maior acúmulo de ácidos graxos nas paredes dos vasos sanguíneos, no fígado, nos depósitos adiposos viscerais e, consequentemente, tem forte correlação com o surgimento da aterosclerose. As placas de ateroma estão entre as manifestações iniciais que culminam em eventos cardíacos potencialmente fatais, sendo a prevenção de sua formação um dos principais alvos na diminuição do risco cardíaco. Porém, o TMAO ainda está por trás de outros mecanismos que podem aumentar o risco das DCV.


Esse metabólito nocivo parece, por exemplo, promover e atuar na progressão de quadros de dislipidemia. Entre os mecanismos postulados para essa relação estão: o seu efeito estimulante para a síntese de lipídios e glicose no fígado, ao passo que também inibe o metabolismo de colesterol e ácidos biliares; ativação da sinalização do NF-κB , promoção de um fenótipo mais pró-trombótico ao aumentar a ativação plaquetária; e geração de disfunção endotelial devido à atuação de ativação de inflamassomas.


O aumento da maquinaria molecular da microbiota para a síntese de trimetilamina é uma das características comumente observadas na comunidade microbiana de indivíduos com DCV. O enriquecimento na abundância de espécies da família Enterobacteriaceae como Escherichia coli, Klebsiella spp. e Enterobacter aerogenes tem forte relação com essa capacidade aumentada de produção de trimetilamina a partir de colina.


Como a síntese de TMAO depende da oxidação da trimetilamina, um contexto sistêmico de inflamação crônica também costuma estar associado ao aumento dos níveis deste metabólito. E uma das causas para esse cenário metabólico pode ser, inclusive, a própria microbiota em disbiose.


O sistema nervoso também sofre com níveis aumentados de TMAO


O sistema cardiovascular não é o único sistema vital a sofrer efeitos deletérios pela presença aumentada de TMAO na corrente sanguínea. Funções cerebrais podem ser diretamente afetadas pela atuação deste metabólito de origem microbiana: a promoção do aumento do estresse oxidativo no cérebro, induzindo a senescência neuronal e prejudicando a função das mitocôndrias nas células cerebrais, contribui para o declínio cognitivo e aumento do risco de doenças neurodegenerativas.


Dessa forma, o cuidado com a composição e funcionalidade da microbiota pode ser um importante alvo para a proteção contra o desenvolvimento de condições degenerativas e metabólicas.


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Referências bibliográficas

Croci S, D'Apolito LI, Gasperi V, Catani MV, Savini I. Dietary Strategies for Management of Metabolic Syndrome: Role of Gut Microbiota Metabolites. Nutrients. 2021 Apr 21;13(5):1389. doi: 10.3390/nu13051389.


Dabke K, Hendrick G, Devkota S. The gut microbiome and metabolic syndrome. J Clin Invest. 2019 Oct 1;129(10):4050-4057. doi: 10.1172/JCI129194.


Fan, Y., & Pedersen, O. (2020). Gut microbiota in human metabolic health and disease. Nature Reviews Microbiology. doi:10.1038/s41579-020-0433-9

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