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Você sabe quais são as doenças inflamatórias intestinais?


O termo “doenças inflamatórias intestinais” se refere a condições patológicas que se caracterizam, entre outros, por três pontos principais:


  • São condições crônicas, que mesmo com realização de procedimento cirúrgico, podem apresentar recidiva;

  • Alternam períodos de remissão com episódios de crise, nos quais a abordagem terapêutica e dietética apresentam particularidades, devendo ser respeitado também o fenótipo de sintomas individual;

  • A principal manifestação é a resposta inflamatória descontrolada mediada pelo sistema imune, que também é a base da patogênese dessas doenças.


Duas doenças são incluídas nessa classificação por envolverem inflamação no trato gastrointestinal. São elas a Doença de Crohn (DC) e a Colite Ulcerativa (COU). Ambas têm como alguns dos sintomas característicos a dor abdominal, sangramento retal, diarreia e perda de peso (que ocorre tanto pelas excessivas perdas de nutrientes via excreção fecal quanto pelos prejuízos absortivos, que são mais pronunciados na Doença de Crohn, devido às porções intestinais envolvidas).


O sistema imune é o responsável pela defesa do nosso organismo, e por ser o intestino uma região de grande contato com agentes advindos do meio externo, esse órgão possui diversas camadas de barreira de proteção, além da presença de células imunes intestinais, para garantir uma primeira linha de defesa. Nas DII, a disfunção dessas barreiras e a resposta imune inadequada são responsáveis pela deflagração dos sintomas, e se originam de interações entre fatores genéticos, ambientais e do microbioma. A difícil supressão dessas doenças faz com que certas regiões do intestino, que constantemente sofrem com a resposta inflamatória exagerada, sejam literalmente destruídas, fator relacionado aos principais sintomas.


Do ponto de vista histológico, tanto a DC como a COU são caracterizadas por uma inflamação ativa e crônica. Tais atributos são evidentes, por exemplo, pela presença, no tecido intestinal, de elevado número de neutrófilos, células do sistema imune recrutadas como parte da resposta inflamatória; pela perda de estruturas intestinais importantes para absorção de nutrientes como as criptas, além da depleção de mucina. A mucina é uma glicoproteína fundamental na manutenção da barreira intestinal, que, entre outras funções, impede que o sistema imune intestinal seja ativado de maneira constante. Com a depleção dessa estrutura, as células epiteliais intestinais ficam mais expostas e a imunidade intestinal, mais reativa.


Essas são doenças que se manifestam cedo, com maior prevalência entre adolescentes e adultos jovens, mas a incidência na população pediátrica vem crescendo. Aproximadamente ¼ dos pacientes com DII começam a apresentar o quadro aos 20 anos. Por se manifestarem cedo e prejudicarem a qualidade de vida de um período expressivo de tempo, são um problema de saúde que deve ser corretamente diagnosticado e tratado, a tempo e da melhor forma possível.


Porém, apesar das semelhanças, são condições patológicas diferentes. A Doença de Crohn pode atingir qualquer área do trato gastrointestinal, desde o início (boca) até o final (ânus), apesar de mais comumente envolver a porção final do íleo e o cólon. Pode ter um fenótipo de inflamação mais penetrante ou restringida. Já a COU é marcada por inflamação difusa e contínua que inicia no cólon e se estende até o reto, podendo o íleo apresentar um leve grau inflamatório.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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